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quarta-feira, 19 de junho de 2013

O SENHOR DOS ANÉIS


Mesmo sitio, outra história. Na história anterior, Gui precisou se acostumar com as gozações impostas pelos outros, assim como gostava de fazer com os mesmos. Em todo caso, a história de J em nada lembra a de Gui, a não ser que se passa no mesmo sitio e quase no mesmo instante que a de Gui.

J sempre foi um cara da turma e para a turma. Era daqueles amigos que não perdiam um encontro com a turma toda reunida. Fazia questão de estar mesmo. Porém, como estava sempre presente, sofria mais gozações que os outros. O problema é que J sempre estava lá e, como se não bastasse, era um sujeito muito engraçado, que se metia em situações cada vez mais embaraçosas. Para se ter uma idéia, em várias ocasiões, J bebia muito. Bebia tanto, que não conseguia se conter ao voltar pra casa e acabava adormecendo no carro em que pegava carona. Era preciso carregá-lo, literalmente, ao chegar em casa, e ainda colocá-lo na cama. Sua mãe acostumada, já não ligava mais. E o problema de tudo isso, não era nem esse. Era que J tinha uma incontinência urinária quase diária que, quando bebia, se tornava pior. Isto é, o motorista que se propunha a dar carona para J, armava-se com um kit de primeiros socorros urinários que ficava no porta-luvas. Eram constituídos de panos, sprays de bom-ar e lenços umedecidos e perfumados. Em quase todo encontro com a turma, J urinava no carro. E o motorista, que precisaria lavar o carro no outro dia, ainda precisava levar J para casa, carregado. Uma luta! Mas J era um cara parceiro. Muito tranqüilo e disposto. Levava tudo na esportiva. E quando um amigo precisava de um favor, atendia com prontidão e bom humor. Enfim, J não tinha problemas com ninguém e ninguém tinha problemas com ele. Tudo aquilo não passava de gozação!

Em todo caso, no sitio, mesmo sitio que a história de Gui, J protagonizou uma cena, um tanto quanto fora da sua normalidade de urinar e de ser carregado. Muito antes da hora de dormir e do ocorrido com Gui, J havia bebido muito, pra variar. Muito mesmo. Muito além da conta. Mas ainda era cedo. Muito cedo. E a festa caminhava a pleno vapor. J, então, percebendo o vacilo e querendo se redimir, caminhou até a sauna. Pensou: “se parar de beber um pouco agora e suar bastante, posso seguir na festa”. E entrou na sauna, que não tinha ninguém. Lá, sozinho, adormeceu. Foi encontrado por W, amiga da aniversariante, que logo correu para avisar os outros. Pensando as piores coisas, W chamou o primeiro que viu pela frente, X, um amigo da família da aniversariante, que gostava muito de J. O problema é que W não sabia disso. X ao adentrar a sauna e encontrar J seminu e dormindo, tratou logo de levá-lo ao quarto mais próximo.

Passaram-se umas duas horas até que J recobrasse a consciência e saísse do quarto. Como todo mundo estava em frente à porta de entrada, perto da churrasqueira, e que dava para o quarto onde J dormira, ninguém perdeu a saída cambaleante, de sunga e sem saber o que estava acontecendo com J. Ele mesmo, ao sair do quarto, não se dera conta do que se passava. Só via que os outros estavam rindo em voz alta e em bom tom. Minutos depois, X sai do quarto e com a mão na boca pede silencio: “deixem ele acordar primeiro”. E virando-se para J, X diz: “não precisa se preocupar, não aconteceu nada demais enquanto você dormia, lindamente... lindamente...”.

Esse episódio garantiu a J um apelido: “O Senhor dos Anéis”, graças a sua investida inconsciente de permanecer no quarto com X. Estava formada aí, conforme indicada por todos, a “Sociedade do Anel”!



Num dos encontros posteriores da turma com J num bar, eis que surge X, com um amigo alto e forte! Este novo momento, como se pode imaginar, e já que X também era alto, ficou batizado como: “As Duas Torres”!



Faltava só esperar o ano seguinte, para comemorar o aniversario de nossa amiga, a do sitio, e com as mesmas pessoas, e com X e J! Aí sim teríamos, com certeza: “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”!



Por: Marcelo Mariano

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